Acordo às seis da manhã. Meio sonado, sem poder tomar outra coisa que não seja água, me arrumo com pressa e com má vontade.
Sete horas. O laboratório cheio de gente. Atendentes solícitas, pois não senhor!
Ganho uma senha. Na espera mais de 20 pessoas. Muitos guiches, aguardando os interessados em manter sua saúde. Toca uma campainha e muda o número na tela. Faltam 10 posições para o meu número.
Estou com sono, com vontade de tomar um café e fumar um cigarro.
Tudo muito bem arrumado, organizado, cheirando bem.
Pois não senhor! Ah, convênio. Seu dados são os mesmos, ok! É só aguardar na sala ao lado.
Ali, bem ao lado do "bar", o cheiro de café aguça o cigarro.
João Carlos! Rapidamente, levanto e sigo por corredores cheios de salas, um guarda-pó branco e amável.
Sentado, braços estendidos sobre um apoio, fecho os olhos. O senhor está bem? O cheiro de álcool e a sensação de frieza sobre meu braço e o algodão sendo passado sobre a artéria.
Não dói nada. Doeu!
Pronto! Agora o café e o cigarro.
Todos, incluindo eu, buscávamos boa saúde!
Eu me vi mantendo algo muito maior do que saúde. Um negócio, uma estrutura enorme que não visa nem a minha boa saúde, nem a de ninguém.
Visa manter bem os organismos de nossa espécie, ou visa manter toda aquela estrutura com lucros sobre sangues?
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Abraço